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Ninguém, além de ti


Finalmente aprendi, compreendi e consegui colocar em prática. Devemos guardar para nós a felicidade que nos vai na alma e quanto menos pessoas souberem o quanto estás feliz ou os teus planos, melhor sabor terá a vida.

Dias a correr


Vivi a maior parte da minha vida no Alentejo, num recanto perto de uma pequena cidade, o que, no geral, me proporcionava uma boa qualidade de vida. Com a recente mudança para uma grande cidade - e longe do conforto do meu Alentejo - tenho sentido muito mais stress. As pessoas passam o dia inteiro a correr de um lado para o outro e eu sou quase que arrastada pela multidão. Claro que tanto um lado como o outro tem as suas coisas boas e más, mas sinto que tenho de arranjar uma forma de me conseguir desligar desta correria em que se está a tornar a minha vida ou vou dar em doida. O meu corpo não está, de todo, habituado a estas coisas. Devia estar, mas não está.

Estes últimos dias têm tido um sabor agridoce.

A. | É do meu jeito


Custa-me imenso pedir algo a alguém. Não estou a dizer pedir, por exemplo, em restaurantes "um copo de água" ou numa esplanada "um café". Refiro-me a pedir favores ou alguma outra coisa que queira muito. Isto já vem de criança, a minha mãe diz que nunca fui de pedir. Poderia ficar a olhar para algo durante muito tempo - o que fazia com que os meus pais entendessem que eu queria esse algo - mas não o pedia. Até à bem pouco tempo (quando não recebia o meu dinheiro) isto acontecia. Podia andar a namorar algo durante imenso tempo, mas não pedia e se mo oferecessem, ao início, ficava triste em vez de feliz. Com os favores acontece o mesmo, conto pelos dedos de uma mão os favores que pedi até hoje - refiro-me mesmo a favores e não aqueles "olha traz-me isto para aqui se faz favor". Hoje tive de pedir um favor à minha mãe e custou-me tanto, mas tanto! O que me vale é que ela sabe quando eu quero pedir algo e dá ela o primeiro passo "conta-me, o que me queres pedir?".

A despedida


Custam-me imenso as despedidas, aquelas despedidas que não conseguimos evitar por mais que queiramos. Custam-me as despedidas dos sítios onde fui feliz. Dizem-me "coisas melhores virão", acredito que sim, mas nada me tira aquele pedaço de tempo em que me custa imenso pensar que aquele é o último dia em que vou entrar ali. Por isso mesmo não gosto de ser eu a sair em primeiro lugar, nunca sei o que dizer - "até um dia?", "obrigada?". São precisos alguns dias para eu recuperar e para interiorizar a questão do "deixar para trás".

Pessoal | aleatório


Tenho andado exausta. Só me apetece dormir. Em consequência desse cansaço o exercício físico é quase nulo. Não gosto das mudanças físicas, demoro algum (muito) tempo a habituar-me à ideia. Desta vez não está a ser excepção. Ando a tentar encontrar um hotel com uma piscina panorâmica para o levar num fim-de-semana a dois. Está a ser difícil. O meu contrato de trabalho termina dentro de um mês e já me sinto como se tivesse terminado. O que vou eu fazer a seguir? É a pergunta que mais me atormenta. Não estou a ter noção dos dias, hoje nem parece sexta-feira. Acho que é mais uma espécie de cansaço psicológico do que físico.

Ando extremamente cansada. Chego a meio do dia (se tanto) e só vejo a minha cama à frente! Não me lembro da última vez que me senti assim, exausta.

Hoje fizeram-me algo que eu sei perfeitamente que não o conseguiria fazer a outra pessoa, por mais mal que a mesma me tivesse feito. Hoje estou mais que triste. Hoje apetece-me dormir e não acordar tão depressa!

Mantive a esperança até ao último momento, afinal é assim que deve ser. Hoje, essa esperança acabou e estou por minha conta.
Lembrança para mim mesma: quando andas demasiado feliz vem sempre a má notícia. 

"Ainda agora o ano começou" e eu sinto-me como se estivesse numa montanha russa. Tantas emoções, tantos desafios, tantas voltas que a vida está a dar e eu não sei como lidar com tudo. O meu corpo não sabe lidar com isto tudo. Sinto-me ansiosa, mas cheia de força para enfrentar os desafios, dê por onde der.

Ter medo é normal, mas hoje sinto demasiado medo. Medo do futuro.
Por mais que saibamos que um dia acontecerá, nunca nos preparamos para a perda, para a morte.

Despesas


Ainda este mês vou ter uma grande despesa. Não contava com isso e apesar de ter praticamente todo o dinheiro que recebo do part-time não queria mesmo tirar da conta. Vai daí e resolvi abrir os meus mealheiros para ver se chegava. Não chega, mas já é uma grande ajuda. Digo-vos, vai ser um montante bem empregue, mas é talvez o que me custa mais a dar.